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NÃO ESQUECEMOS...
Percorremos estes
caminhos estreitos, hoje tão floridos, mas não os encontramos. Buscamos,
por detrás desta cortina de lágrimas o passado onde havia alegria,
aquela simplicidade de viver o quotidiano, sem quase darmos conta da
felicidade que tínhamos, e nada vemos que possa mudar a nossa vida. Como
é difícil continuar com a ausência dos nossos filhos...como é difícil
perceber a vida e a morte. Queremos acreditar que há muito mais para
além das flores e lágrimas que hoje lhes oferecemos, neste lugar que nos
convida à meditação, mas a tristeza é imensa e não nos deixa ver mais
nada para além da dor que sentimos. Relembramos a sua figura, o seu
riso, todo um passado...hoje sob a forma de saudade ou mesmo desespero.
É necessário conquistar a paz e a serenidade que este lugar quase nos
obriga a ter.
Não esquecemos, de modo algum, a sua presença viva. Agora, depois da
partida e da perda dos nossos sonhos, temos de nos agarrar ao sonho de
nos tornarmos a reencontrar. Afinal, se amámos os nossos filhos com
tanta força, dedicação e empenho, não podemos perdê-lo. Esse sonho
continua...porque o amor não acabou. Eles são constantes Primaveras a
ofertar-nos a sua beleza e o seu perfume.
Vamos fazer uma retrospectiva positiva da nossa vida com os nossos
filhos. Podemos e devemos andar para trás no tempo, aquele espaço feliz
de vidas partilhadas, mas, avançando sempre fortalecendo o dom da arte
de viver. Eu sei que percorrer a vida sem os nossos ausentes é um acto
heróico e, mais ainda, é saber aprender como fazê-lo. Uma parte da vida
escapou-se mas temos que acarinhar a outra. Não vamos dizer adeus sem
esperança mas aceitar o adeus físico. O nosso coração continua aberto ao
amor, às recordações. A vida nunca acaba...
Nesta altura sentimo-nos mais fragilizados mas, como uma família, aqui
estamos querendo, do fundo do nosso coração, que te levantes da
escuridão em que te encontras e murmures:
Sê eternamente feliz meu filho!
Aida Nuno |