dia de todos os santos

2000
2005
2006

 

SAUDADE

A  nossa  alma  no  Dia  de  Finados  está  mais  aberta  à  dor, mais  sensível a toda esta peregrinação de saudade  pelos filhos que nos deixaram na Primavera  das suas vidas.
Em todos os cemitérios há um movimento característico em que os vivos prestam homenagens  aos  que  partiram para  a Eternidade. É a Fé na Eternidade  que  nos  move  ao  colocar  tão  lindas  flores, velas  e  orações, junto às campas dos entes  queridos.
Saudade,  tanta  saudade  no coração de tantos pais mas, a coragem há-de vencer, porque  acreditamos  que  os  nossos  queridos filhos,  nas Alturas, estarão pedindo graças e protecção para continuarmos a palmilhar o caminho áspero da vida.
Presentes  nesta  dor e  em memória dos nossos filhos consigamos, em cada dia que passa,  realizar  feitos dignos, não necessariamente grandiosos ou extraordinários... mas  que  tragam  na   sua   essência  uma  bagagem  como  realização,  superação, finalidade e tímidos sorrisos de Esperança no Amanhã.
Mais  do  que  a morte, é preciso  dissipar  o medo de viver. Recordar  tudo o que herdámos de  bom e ficou  para  nos  sustentar, é  o  melhor  caminho para que os filhos do nosso luto continuem, para sempre, junto a nós.
                                                                                                                        Aida Nuno

ADORAÇÃO
Vi o teu rosto lindo,
            Esse rosto sem par;
 Contemplei-o de longe mudo e quedo,
 Como quem volta de áspero degredo
            E vê ao ar subindo
            O fumo do seu lar!
 
            Vi esse olhar tocante,
            De um fluido sem igual;
 Suave como lâmpada sagrada,
 Bem-vindo como a luz da madrugada
            Que rompe ao navegante
            Depois do temporal!
 
            Vi esse corpo de ave,
            Que parece que vai
 Levado como o Sol ou como a Lua
 Sem encontrar beleza igual à sua;
            Majestoso e suave,
            Que surpreende e atrai!
 
Atrai e não me atrevo
            A contemplá-lo bem;
 Porque espalha o teu rosto uma luz santa,
 Uma luz que me prende e que me encanta
            Naquele santo enlevo
            De um filho em sua mãe!
 
            Tremo apenas pressinto
            A tua aparição, 
 E se me aproximasse mais, bastava
 Pôr os olhos nos teus, ajoelhava!
            Não é amor que eu sinto,
            É uma adoração!
 
            Que as asas providentes
            De anjo tutelar
 Te abriguem sempre à sua sombra pura!
 A mim basta-me só esta ventura
            De ver que me consentes
            Olhar de longe... olhar!                                   
                                                     João de Deus

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