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SAUDADE
A
nossa alma no Dia de Finados está
mais aberta à dor, mais sensível a toda esta
peregrinação de saudade pelos filhos que nos deixaram na Primavera
das suas vidas.
Em todos os cemitérios há um movimento característico em que os vivos
prestam homenagens aos que partiram para a
Eternidade. É a Fé na Eternidade que nos move ao
colocar tão lindas flores, velas e
orações, junto às campas dos entes queridos.
Saudade, tanta saudade no coração de tantos pais mas,
a coragem há-de vencer, porque acreditamos que os
nossos queridos filhos, nas Alturas, estarão pedindo graças
e protecção para continuarmos a palmilhar o caminho áspero da vida.
Presentes nesta dor e em memória dos nossos filhos
consigamos, em cada dia que passa, realizar feitos dignos,
não necessariamente grandiosos ou extraordinários... mas que
tragam na sua essência uma
bagagem como realização, superação, finalidade e
tímidos sorrisos de Esperança no Amanhã.
Mais do que a morte, é preciso dissipar o
medo de viver. Recordar tudo o que herdámos de bom e ficou
para nos sustentar, é o melhor caminho
para que os filhos do nosso luto continuem, para sempre, junto a nós.
Aida Nuno |
Vi o teu rosto lindo,
Esse rosto sem par;
Contemplei-o de longe mudo e quedo,
Como quem volta de áspero degredo
E vê ao ar subindo
O fumo do seu lar!
Vi esse olhar tocante,
De um fluido sem igual;
Suave como lâmpada sagrada,
Bem-vindo como a luz da madrugada
Que rompe ao navegante
Depois do temporal!
Vi esse corpo de ave,
Que parece que vai
Levado como o Sol ou como a Lua
Sem encontrar beleza igual à sua;
Majestoso e suave,
Que surpreende e atrai!
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Atrai e não me atrevo
A contemplá-lo bem;
Porque espalha o teu rosto uma luz santa,
Uma luz que me prende e que me encanta
Naquele santo enlevo
De um filho em sua mãe!
Tremo apenas pressinto
A tua aparição,
E se me aproximasse mais, bastava
Pôr os olhos nos teus, ajoelhava!
Não é amor que eu sinto,
É uma adoração!
Que as asas providentes
De anjo tutelar
Te abriguem sempre à sua sombra pura!
A mim basta-me só esta ventura
De ver que me consentes
Olhar de longe... olhar! |