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Só te encontrei nos
campos em flor
Procurei-te na terra
batida
Onde te sepultaram,
Na escuridão dos dias sem regresso,
Nos caminhos estreitos
Dos sonhos desfeitos.
...Mas não estavas lá!
Só te encontrei nos campos em flor,
Nas ondas do mar,
Nas palavras de amor.
Agora adivinho o teu rosto,
Vejo o teu sorriso,
Invento os teus gestos...
E essas lembranças que tenho de ti
É que suavizam a dor que sofri
E conseguem dar doces alegrias
Às horas sombrias
Do meu despertar!
Quando ponho flores na tua campa, parece-me impossível que estejas
naquele local estéril e frio. O que lá está é apenas aquilo que te
envolvia. Porém, a tua força, a tua alegria, o teu carácter, o teu
sentido dos outros, não podem ter ficado enterrados.
Eram demasiado valiosos para isso.
Têm de estar algures, não se perderam.
E, se assim for, a tua morte não foi inútil e a nossa dor não será
desespero.
Marina Ribeiro da Silva
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