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TRANSCENDÊNCIA
(Aida Nuno)
Quem me usa? Quem me acusa?
Quem me embala? Quem me cala?
Quem me dá a perseverança?
Esta esperança e esta fala?
Silêncios sem traços onde as palavras
Contornam mistérios, e porque não?
Persistem visões e em mim se colam
Imagens que o tempo desdobrou.
Constante, sempre a nascer por dentro
Sufoco neste fogo e nesta chama
Luto por um recomeço ou por um fim?
Transcende não sei o quê dentro de mim.
É
manhã e amanhã lá fora
Brotará a Primavera
Quem me dera lá estar!
Sinto e oiço as aves, não demora
O florescer da folha, do fruto e da flor.
A dor, essa por fim adormeceu
Deixá-la muito quieta assim ficar
Resignada e só no seu vazio
Eu silencio o meu ser descontente
De repente já não sinto frio
Penso que o Inverno já passou.
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