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EU
ACREDITO
(Aida Nuno)
Tantos suspiros de mágoa, tantos ais
Tantos porquês aflitos e saudosos
Tantos olhos secos e chorosos
Tantas mãos crispadas no vazio.
Olho o que alcanço e o Nada abranjo
Quero ver tudo o que não vejo e acredito
Não estamos sós, mas somos solidão
Assustam-se as aves com o meu grito.
Dá-me a tua mão, alma que partiste
Oiço o teu riso no sopro do vento
Não, eu não te vejo mas sei que existes
Vê! Eu estou aqui sem um lamento.
Ama-me o ausente, olha por mim
Abre as suas asas e assim espera
Cumpra-se o destino, a
minha sorte
Porquê medo da morte? Porquê?
Não somos
cinzas que se perdem...
Somos mais do que ais, do que saudade
Ai a Verdade que não vemos porque é luz
Dai-me Senhor a Fé, a Claridade.
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