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AUSÊNCIA
(Odete
Figueiredo)
Passa à tua ausência, passa...
Em cada detalhe encontro traços
Da tua ausência que se faz presença
É uma casa tão grande, a ausência
Está em toda a parte em todo o lugar...
É uma casa tão transparente a ausência
Vejo-te sem te poder alcançar
Em tudo procuro um pouco de teu
Lembrança de quem parte querendo ficar
Esperança de quem fica para se reencontrar.
Até no perfume dos anos
permaneces
No aroma da saudade e das minhas preces...
Sinto que não há adeus mas reencontros
Mais além e mais próximo de Deus.
Como quem chega sem apresentar.
Vou perguntar à brisa que sopra da terra para o mar,
Ao sol que nasce do nascente para o poente.
À fonte que murmura sem cessar
Em que morada do Universo te poderei encontrar?
Anjo da consolação: Salva-me desta ausência...
Liberta-me dos braços da solidão. |