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Oito anos passados sobre a legalização da Associação
e com mais de mil pais inseridos na nossa base de dados, com muito pouca
gente para trabalhar e muito trabalho a fazer, tivemos que decidir
reestruturar algumas das nossas formas de actuação.
A nossa base de dados tinha efectivamente mais de mil pais mas muitos
deles nunca se tinham feito sócios e após um primeiro contacto tinham
desaparecido.
Foram recontactados um a um. Alguns desistiram. Outros ficaram muito
sensibilizados com o nosso interesse. Foi um trabalho moroso mas a
reestruturação começou por aí.
Durante todo o ano fizemos constantes apelos nos
Diários de Bordo para que fossem pagas as quotas e regularizadas as
contas em atraso.
Muito poucos nos deram ouvidos e em Outubro vimo-nos obrigados a
escrever a carta que se segue a todas as pessoas que tínhamos na base de
dados.
"Caros amigos,
Desde que, em 15 de Março de 1993, começámos a acompanhar a primeira
mãe, tem sido sempre nossa preocupação criar as condições necessárias
para ajudar os pais em luto na sua reintegração na sociedade,
incentivando-os a partilharem o seu sofrimento e a sua revolta.
Nunca foi prioritária a situação económica porque, sempre pensámos que
uma Associação tem que caminhar com a ajuda dos seus próprios sócios,
deixando bem claro, mais uma vez, que nenhum pai deixará de ser ajudado
pelo facto de não ter possibilidades financeiras.
Mas, os tempos mudaram e mudaram muito mais depressa do que alguma vez
imagináramos. A nossa base de dados indica-nos agora um número de 1578
pessoas que nos têm vindo a contactar ao longo dos anos. Destes, só 329
são sócios efectivos e nem todos têm as quotas em dia.
Temos vindo sistematicamente a falar, nos Diários de Bordo, da nossa
difícil situação económica mas, muito poucas pessoas nos deram ouvidos e
acontece agora a conta da Associação estar a 000, levando-nos a
realizar que, continuando a trabalhar na mesma linha, estamos a empenhar
o futuro da Associação.
Muitas das agendas e livros que, não mandámos à cobrança por ser mais
caro, mas mandámos à confiança, quer em 2003 e depois em 2004, estão
ainda por pagar.
Mais de 500 contactos para quem todos os meses enviamos o Diário de
Bordo, nunca contribuíram para qualquer despesa. Cada Diário de Bordo
custa-nos por mês cerca de 5 euros (despesas de correio, fotocópia,
envelope etc.).
Queríamos pois pedir-vos:
► Todos aqueles que não estão mais interessados em receber as
nossas publicações e nunca
foram sócios de “A Nossa Âncora”,
avisem-nos, por favor. Basta um simples telefonema.
Caso não nos digam nada durante o próximo mês de Outubro,
deixaremos de enviar.
► Aos que são sócios efectivos mas têm as quotas em atraso,
pedimos a sua actualização
ou, digam-nos francamente, se não
querem continuar a ser associados.
► Quem recebeu agendas ou livros e ainda não pagou, queiram, por
favor, regularizar as vossas
contas.
Uma Associação como a nossa tem que procurar viver das quotas dos seus
sócios e de uma ou outra iniciativa para angariação de fundos. Estar à
espera de subsídios estatais acontece o que aconteceu agora, mudaram os
governos, os subsídios acabaram e nós ficámos descalços.
Se entre vós houver quem tenha ideias ou soluções para a angariação
de fundos partilhem-nas connosco. Precisamos da colaboração,
conhecimentos e trabalho de todos.
Também se alguém tivesse características e vontade para gerir
economicamente uma Associação como
a nossa, seria “ouro sobre azul”.
A Direcção precisa urgentemente de uma pessoa com esse perfil.
É-nos muito difícil estar a escrever esta carta. A nossa missão é
acompanhar os pais na sua caminhada de luto e estes problemas económicos
desgastam-nos e deixam-nos sem força para o importante e difícil
trabalho que temos pela frente. Tanta coisa que gostaríamos de fazer por
vós... e convosco!
Embora sendo uma Associação que sempre falou de “Amor” e de “Esperança”,
também nós neste momento estamos desanimados e com receio que este seja
o último Diário de Bordo que estamos a enviar, por falta de condições
para continuar.
Contamos e precisamos de todos vós.
Um grande abraço,
Maria Emília Pires"
Como é difícil agradar a "gregos e troianos", houve algumas críticas
menos positivas mas que não impediram que continuássemos o nosso
trabalho de reestruturação.
Os frutos deste
trabalho só começaram a ver-se no ano de 2006 em que estamos a escrever
este historial.
Sabemos que algumas
medidas tomadas foram menos simpáticas e aqui ficam as nossas desculpas
se por ventura magoámos alguém involuntariamente. Essa não foi de forma
alguma a nossa intenção mas sim, preparar o futuro da Associação que se
encontrava ameaçado por uma infra-estrutura caseira que tinha começado
com o encontro de duas mães e já contava agora com mais de mil.
Sintra, 1 de Novembro de 2006
Por estarmos a
falar do passado, do presente e do futuro, ocorreu-nos deixar-vos aqui
uma aguarela de "Joseph Turner" que tinha o dom de pintar "libertando-se
da visão convencional das coisas". |