a nossa história
2004
 

      

Oito anos passados sobre a legalização da Associação e com mais de mil pais inseridos na nossa base de dados, com muito pouca gente para trabalhar e muito trabalho a fazer, tivemos que decidir reestruturar algumas das nossas formas de actuação.

A nossa base de dados tinha efectivamente mais de mil pais mas muitos deles nunca se tinham feito sócios e após um primeiro contacto tinham desaparecido.

Foram recontactados um a um. Alguns desistiram. Outros ficaram muito sensibilizados com o nosso interesse. Foi um trabalho moroso mas a reestruturação começou por aí.

Durante todo o ano fizemos constantes apelos nos Diários de Bordo para que fossem pagas as quotas e regularizadas as contas em atraso.

Muito poucos nos deram ouvidos e em Outubro vimo-nos obrigados a escrever a carta que se segue a todas as pessoas que tínhamos na base de dados.

"Caros amigos,

Desde que, em 15 de Março de 1993, começámos a acompanhar a primeira mãe, tem sido sempre nossa preocupação criar as condições necessárias para ajudar os pais em luto na sua reintegração na sociedade, incentivando-os a partilharem o seu sofrimento e a sua revolta.
Nunca foi prioritária a situação económica porque, sempre pensámos que uma Associação tem que caminhar com a ajuda dos seus próprios sócios, deixando bem claro, mais uma vez, que nenhum pai deixará de ser ajudado pelo facto de não ter possibilidades financeiras.
Mas, os tempos mudaram e mudaram muito mais depressa do que alguma vez imagináramos. A nossa base de dados indica-nos agora um número de 1578 pessoas que nos têm vindo a contactar ao longo dos anos. Destes, só 329 são sócios efectivos e nem todos têm as quotas em dia.
Temos vindo sistematicamente a falar, nos Diários de Bordo, da nossa difícil situação económica mas, muito poucas pessoas nos deram ouvidos e acontece agora  a conta da Associação estar a 000, levando-nos a realizar que, continuando a trabalhar na mesma linha, estamos a empenhar o futuro da Associação.
Muitas das agendas e livros que, não mandámos à cobrança por ser mais caro, mas mandámos à confiança, quer em 2003 e depois em 2004, estão ainda por pagar.
Mais de 500 contactos para quem todos os meses enviamos o Diário de Bordo, nunca contribuíram para qualquer despesa. Cada Diário de Bordo custa-nos por mês cerca de 5 euros (despesas de correio, fotocópia, envelope etc.).
Queríamos pois pedir-vos:

►    Todos  aqueles  que não  estão mais interessados  em receber as nossas publicações e nunca
        foram sócios de “A Nossa Âncora”, avisem-nos, por favor.  Basta um simples telefonema.

        Caso não nos digam nada durante o próximo mês de Outubro, deixaremos de enviar.

 ►    Aos que  são sócios  efectivos  mas  têm as  quotas em  atraso, pedimos  a sua actualização
        ou, digam-nos francamente, se não querem continuar a ser associados.

 ►   Quem recebeu agendas ou livros e ainda não pagou, queiram,  por favor, regularizar as vossas
       contas.

Uma Associação como a nossa tem que procurar viver das quotas dos seus sócios e de uma ou outra iniciativa para angariação de fundos. Estar à espera de subsídios estatais acontece o que aconteceu agora, mudaram os governos, os subsídios acabaram e nós ficámos descalços.

Se  entre  vós houver  quem tenha ideias ou soluções para a angariação de fundos partilhem-nas connosco. Precisamos da colaboração, conhecimentos e trabalho de todos.

Também  se  alguém  tivesse  características  e  vontade  para  gerir economicamente uma Associação como a nossa, seria “ouro sobre azul”.
A Direcção precisa urgentemente de uma pessoa com esse perfil.

É-nos muito difícil estar a escrever esta carta. A nossa missão é acompanhar os pais na sua caminhada de luto e estes problemas económicos desgastam-nos e deixam-nos sem força para o importante e difícil trabalho que temos pela frente. Tanta coisa que gostaríamos de fazer por vós... e convosco!

Embora sendo uma Associação que sempre falou de “Amor” e de “Esperança”, também nós neste momento estamos desanimados e com receio que este seja o último Diário de Bordo que estamos a enviar, por falta de condições para continuar.

Contamos e precisamos de todos vós.

Um grande abraço,                                                                                                                                
Maria Emília Pires"

Como é difícil agradar a "gregos e troianos", houve algumas críticas menos positivas mas que não impediram que continuássemos o nosso trabalho de reestruturação.

Os frutos deste trabalho só começaram a ver-se no ano de 2006 em que estamos a escrever este historial.

Sabemos que algumas medidas tomadas foram menos simpáticas e aqui ficam as nossas desculpas se por ventura magoámos alguém involuntariamente. Essa não foi de forma alguma a nossa intenção mas sim, preparar o futuro da Associação que se encontrava ameaçado por uma infra-estrutura caseira que tinha começado com o encontro de duas mães e já contava agora com mais de mil.

Sintra, 1 de Novembro de 2006

Por estarmos a falar do passado, do presente e do futuro, ocorreu-nos deixar-vos aqui uma aguarela de "Joseph Turner" que tinha o dom de pintar "libertando-se da visão convencional das coisas".

 

design oferecido por IMAGO  desenvolvimento oferecido por Maria Emília Pires