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O
que
nunca
deverá
ser
dito
a
um
pai
ou
mãe
que
perderam
um
filho
De
entre
muitas
outras
que
o
simples
bom
senso
e
caridade
ensinam
a
não
dizer,
salientamos
algumas
coisas
que
foram
ditas
a
pais
com
quem
falámos
e
que
os
magoaram
profundamente:
A
uma
mãe
grávida
que
tem
uma
outra
filha
a
morrer
com
leucemia:
-
“Está
à
espera
de
uma
outra
criança?
Não
tem
medo
que
ela
também
tenha
leucemia?
Porque
é
que
não
abortou?
Se
isso
me
tivesse
acontecido
a
mim
eu
não
suportaria”.
O
seu
filho
tem
um
cancro!
A
senhora
fuma?
Ou
bebe?
Como
é
que
alimenta
o
seu
filho?
Não
vais
passar
a
vida
a
falar
do
teu
filho
que
perdeste.
Não
há
só
isso
de
importante
na
vida!
Deus
deve
amá-la
muito
para
lhe
dar
este
sofrimento!
Verá
que
com
o
tempo
isso
passa
e
esquecerá!
Teve
sorte,
ele
ainda
era
um
bebé!
A
uma
mãe
que
perde
um
segundo
filho
à
nascença:
-
“Se
calhar
não
foi
feita
para
ter
filhos”.
Deus
levou-o
para
que
não
tivesse
problemas
com
ele
quando
ele
fosse
mais
crescido.
Não
fale
disso.
Faz-lhe
mal.
Ocupa-te
dos
vivos.
Deixa
os
mortos
em
paz.
Vira
a
página.
Um
agente
de
seguros
pergunta
a
uma
mãe
cuja
filha
única
de
cinco
anos
morreu
atropelada
por
um
automóvel:
-
“Em
quanto
é
que
avalia
a
vida
da
sua
filha?”
Não
tens
o
direito
de
dizer
isso.
Há
pessoas
que
vivem
coisas
bem
piores.
Conhece
a
senhora
X
que
já
perdeu
dois
filhos?
É
necessário
que
nos
perguntemos
porque
é
que
nos
tornámos
tão
insensíveis,
tão
indiferentes,
tão
pouco
dispostos
a
dar
um
pouco
do
nosso
tempo
para
ajudar
aqueles
que
têm
necessidade
de
partilhar
os
seus
problemas.
Em
vez
disso
são-lhes
dadas
drogas
que
adormecem
a
consciência
e
acalmam
as
reacções
afectivas
e
os
impedem
de
viver
enquanto
que,
se
eles
vivessem
em
plenitude,
poderiam
ultrapassar
a
experiência
dolorosa
e
conhecer
de
novo
a
vida
em
toda
a
sua
beleza,
com
todas
as
suas
múltiplas
solicitações,
com
os
seus
desgostos
tanto
como
com
as
suas
alegrias.
Dão-se
sedativos
em
quantidade
a
estes
seres
que
sofrem,
em
vez
de
se
lhes
dar
uma
atenção
humana
e
a
possibilidade
de
exteriorizar
as
suas
emoções.
Deixamo-los
assim
num
estado
que
não
é
nem
morte,
nem
vida.
Porquê?
Como
é
que
poderemos
ser
menos
indiferentes?
O
sofrimento
da
perda
de
um
filho
é,
porventura,
uma
das
maiores
dores
pela
qual
o
homem
pode
passar.
Como
é
que
os
pais
que
perdem
um
filho
poderão
reencontrar
um
dia
uma
existência
normal
e
feliz?
A
vida
foi
criada
para
ser
simples
e
bela.
Nos
desafios
que
a
existência
nos
dirige
haverá
sempre
aquilo
a
que
nós
chamamos
de
tempestades,
mais
ou
menos
violentas.
Mas
nós
sabemos
por
experiência
que
todas
as
tempestades
acabam
por
se
acalmar,
que
depois
da
chuva
brilhará
o
sol
e
que
o
mais
frio
inverno
será
seguido
pela
primavera.
Mas
quando
os
pais
são
confrontados
com
a
morte
de
um
filho
ou
tomam
conhecimento
de
que
tem
uma
doença
grave
e
precisará
toda
a
vida
de
cuidados
especiais
ou
que
a
sua
doença
é
sem
esperança,
tais
pensamentos
não
ajudam
nada.
Dizer-lhes
“é
a
vontade
de
Deus”
ou
“pelo
menos
pôde
tê-lo
durante
algum
tempo”
são
frases
deslocadas
e
chocantes
para
uns
pais
que
acabam
de
ficar
sem
o
seu
filho.
Ninguém
pode
proteger
um
ser
amado
das
penas
da
vida.
Ninguém
nos
pode
tirar
o
nosso
desgosto.
Verdadeiramente
ninguém
pode
consolar
um
pai
ou
uma
mãe.
Mas
poderemos
ajudá-los
e
pormo-nos
à
sua
disposição,
estar
presentes
se
eles
tiverem
necessidade
de
falar
ou
de
chorar,
se
tiverem
que
tomar
decisões
que
não
se
podem
tomar
sós.
E
sempre
que
possível,
a
nossa
grande
sensibilidade,
a
nossa
escuta
mais
atenta
podem,
antes
que
a
morte
aconteça,
prevenir
alguns
destes
golpes
destruidores.
Quanto
tempo
será
preciso
ainda
para
fazer
perceber
aos
técnicos
de
saúde
que
o
“valium”
é
à
sua
maneira
tão
nefasto
como
o
cancro?
Para
fazer
perceber
que
se
podem
substituir
as
drogas
pela
escuta
simpática
oferecida
por
um
ser
humano,
que
ele
próprio
tenha
já
encontrado
o
seu
equilíbrio,
e
que
não
hesita
em
deixar
o
doente
exprimir
o
seu
sofrimento
e
a
sua
angústia.
Porque
isso
o
libertará
e
o
processo
de
cura
poderá
estabelecer-se.
Os
pais
têm
necessidade
de
ter
um
lugar
onde
em
segurança
possam
abrir
o
seu
coração
e
dizer
o
“indizível”
gritar
se
tiverem
necessidade
de
o
fazer,
sem
que
de
imediato
lhes
seja
administrado
um
calmante.
A
todos
os
que
contactam
com
os
pais
em
luto
eu
daria
algumas
pistas
para
melhor
os
puderem
ajudar
e
ensinar
os
seus
amigos
e
familiares:
Falem-lhes
sem
receio
de
todo
o
afecto
que
sentem
por
eles.
Disponham-se
a
escutá-los,
a
prestar-lhes
algumas
ajudas
concretas,
a
tomar
conta
dos
outros
filhos,
a
fazer-lhes
as
compras,
etc...
Falem-lhes
do
vosso
desgosto
e
da
vossa
sensibilidade
ao
sofrimento
deles.
Deixem-nos
exprimir
toda
a
sua
dor
e
aceitem
as
suas
lágrimas
e
não
tenham
receio
de
chorar
com
eles
de
vez
em
quando.
Os
pais
sofrem
mais
com
a
ausência
de
uma
reacção
do
que
com
uma
reacção
de
amizade
e
de
simpatia
com
emoção.
Dêem-lhes
oportunidade
de
falar
do
seu
filho(a)
sempre
que
o
desejem.
Falem
com
eles
das
qualidades
do
seu
filho
e
o
que
nele
fazia
com
que
fosse
único.
Prestem
atenção
aos
irmãos
quando
do
enterro
e
nos
meses
que
se
seguem.
Eles
também
sofrem.
Sofrem
muito
e
os
pais
a
maior
parte
das
vezes
não
estão
em
condições
de
lhes
dar
toda
a
atenção
e
escuta
de
que
eles
precisam.
Além
disso
quase
nunca
têm
resposta
para
as
suas
perguntas.
Não
digam
que
não
podem
fazer
nada.
Tomem
iniciativas
e
proponham
a
vossa
ajuda
mesmo
que
saibam
que
ela
vai
ser
recusada.
Não
os
evitem
sob
pretexto
de
que
não
estão
à
vontade
e
não
sabem
o
que
dizer.
Isso
só
fará
aumentar
o
seu
sofrimento.
A
não
ser
que
tenham
perdido
um
filho
também,
não
lhes
digam
que
sabem
o
que
eles
sentem
e
sofrem.
Não
lhes
dêem
muitos
conselhos
sobre
o
que
eles
devem
fazer
e
não
tentem
resolver
as
coisas
por
eles.
Acompanhem-nos
simplesmente
no
seu
caminho
ajudando-os
a
tomar
as
decisões
que
eles
precisam
e
desejam
tomar.
Não
mudem
de
assunto
quando
eles
falam
do
seu
filho
falecido.
Pelo
contrário,
ajudem-nos
a
exprimir
os
seus
sentimentos.
Não
hesitem
em
falar-lhes
do
filho
que
morreu.
Não
tenham
medo
de
reavivar
a
sua
dor.
Sentir
que
o
seu
filho
está
esquecido
causa-lhes
muito
mais
sofrimento.
Não
tentem
encontrar
coisas
positivas
para
a
morte
de
um
filho
(por
ex.
que
os
laços
familiares
ficaram
mais
fortes).
Isso
só
pode
vir
dos
próprios
pais
e
ser-lhes-á
preciso
muito
tempo
para
o
descobrirem.
Sejam
pacientes
e
indulgentes.
Os
pais
que
perderam
um
filho
são
“carentes
afectivos”
durante
longos
meses.
Não
lhes
digam
que
eles
têm
sorte
de
ter
marido
ou
mulher
ou
outros
filhos.
De
momento
isso
para
eles
não
tem
grande
importância.
No
caso
de
um
filho
que
morreu
depois
de
doença
prolongada
não
digam
nada
que
os
possa
fazer
pensar
que
os
cuidados
no
hospital
ou
em
casa
não
foram
suficientes.
Já
lhes
chega
os
sentimentos
de
dúvida
e
de
culpa
que
têm.
À
pergunta
que
estará
nas
vossas
bocas,
no
vosso
pensamento,
no
vosso
coração:
-”
O
que
é
que
eu
posso
fazer?”
eu
responderia.
“Façam
o
que
puderem”.
Mas
há
uma
coisa
que
todos
de
certeza
podemos
fazer:
-
Escutar.
Como
proceder
quando
se
trata
de
crianças?
Para
aqueles
que
tratam
crianças
com
doenças
terminais
eu
adiantaria:
-
Eles
sabem
o
que
lhes
está
a
acontecer.
E
nem
por
um
instante
pensem
que
não
sabem.
Por
isso,
o
melhor
a
fazer
é
deixar
que
sejam
eles
a
ditar
as
regras:
-
se
querem
falar,
ouvimo-los;
se
querem
estar
sós,
vamo-nos
embora;
se
querem
chorar
ou
rir
deixamos
que
o
façam.
Devemos
tentar
ser
verdadeiros.
As
crianças
doentes
têm
um
radar
que
lhes
diz
quando
lhes
estão
a
mentir.
Devemos
tentar
escutar.
Devemos
tentar
compreender.
Lidar
com
a
morte
a
aceitá-la
como
parte
da
vida
é
mais
fácil
para
as
crianças
do
que
para
os
adultos.
Talvez
porque
na
sua
inocência
as
crianças
aceitam
a
aprendizagem
da
morte
tal
como
aceitam
qualquer
outra
coisa
que
lhes
seja
ensinada.
Confiando.
Sem
ter
experiência
da
vida
a
criança
não
percebe
o
que
perde
com
a
morte
e
por
isso
a
maior
parte
das
vezes
estará
melhor
preparada
para
lidar
com
o
tempo
que
lhe
resta
do
que
olhar
para
o
tempo
que
nunca
terá.
Elizabeth
Kubler
Ross
conta-nos
que
nos
dormitórios
de
crianças
dos
campos
de
concentração
onde
ela
trabalhou
durante
a
Segunda
Guerra
Mundial
as
paredes
estavam
cobertas
com
desenhos
de
borboletas.
Ela
acredita
que
estas
crianças
nos
queriam
deixar
uma
mensagem
de
esperança.
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