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A fase do choque
caracteriza-se por uma espécie de paralisia da emotividade
e das faculdades de percepção. No momento da notícia
trágica, sobretudo, a pessoa fica anestesiada, e não é
capaz de assimilar toda a reacção emocional da perda.
Por momentos, o mundo abate-se à sua volta e a intensidade
desta sensação é tanto maior quanto mais súbita e
imprevisível for a morte.
As
reacções
são
únicas
de
pessoa
para
pessoa.
Podem
verificar-se
gritos,
manifestações
de
revolta,
de
lágrimas
ou
ainda
uma
calma
aparente.
"Não
pode
ser,
não
acredito".
São
algumas
das
frases
que
podem
ser
ditas,
entre
outras.
Quando
a
morte
é
previsível,
como
na
fase
terminal
de
uma
longa
doença,
ou
numa
idade
já
avançada,
a
intensidade
do
choque
é
diferente
porque
as
pessoas
tiveram
tempo
de
pouco
a
pouco
se
irem
habituando
à
ideia
da
morte.
É
claro
que
é
sempre
um
momento
muito
difícil
mas
pelo
menos
ele
foi
precedido
de
um
tempo
de
preparação.
Há
pessoas
que
têm
tendência
a
manter
uma
vida
interior
rica
de
ilusões
em
relação
ao
ser
que
partiu.
Desenvolvem
por
vezes
alucinações
que
se
destinam
a
manter
a
sua
presença.
As
resistências
são
maiores
se
a
pessoa
não
o
pôde
ver,
falar-lhe
ou
tocar-lhe.
Alguns
lutos
não
se
conseguem
fazer,
simplesmente
porque
não
se
viu
o
corpo
do
defunto. |
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