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A negação social da morte e do
sofrimento tem repercussões tremendas sobre
as pessoas e sobre as comunidades em situação de perda. As
pessoas desconhecem a importância de “fazer os seus lutos”
e ainda mais como devem fazê-los.
Quando uma pessoa consegue passar pelas diferentes fases
do luto, retoma uma vida normal, estando todavia
profundamente transformada. |
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Quando, por qualquer razão, não se faz a passagem pelas
diferentes fases do luto, o ser ferido pela perda fica
agarrado a uma relação que já não existe e não consegue
construir uma vida verdadeira e nova.
As causas destes
insucessos no processo do luto são múltiplas: falta dos
rituais sociais que favorecem o decorrer do luto,
insuficiência de informações necessárias sobre a maneira
da fazer o seu luto, incapacidade de se exprimir
emocionalmente, etc.
O luto é assim um tempo obrigatório entre duas fases da
vida: aquela que deixámos porque nos separámos do ente
querido e aquela que virá depois de o termos deixado
partir e que será completamente diferente da precedente.
AS
DIFERENTES
FASES
DO
LUTO
A psiquiatra
americana Elizabeth
Kubler-Ross,
nos
seus
estudos
sobre
a
morte,
identificou
cinco
fases. Posteriormente, a partir da experiência adquirida, muitos
estudos têm sido feitos com a finalidade de tornar
mais
precisa
a
descrição
do
trabalho
psicológico
que
se
faz
no
mais
profundo
de
uma
pessoa
em
luto
e alguns psicólogos consideram ser
sete
o
número
das
fases
do
luto.
As
duas
primeiras
fases,
o
choque
e
a
negação,
são
reacções
de
resistência
ao
impacto
demasiado
grande
do
traumatismo
da
perda.
A
elas
segue-se
uma
fase
da
expressão
das
emoções
e
dos
sentimentos
que
constitui
uma
espécie
de
purgação,
feita
pelo
organismo,
dos
laços
biológicos
e
psicológicos
tecidos
em
relação
ao
ser
que
partiu.
Quando
o
mundo
emocional
se
encontra
já
liberto,
a
pessoa
em
luto
entra
numa
fase
de
realização
dos
trabalhos
exteriores
exigidos
pela
sua
situação
de
luto.
Trata-se
de
terminar
por
meio
de
gestos
concretos
as
coisas
ainda
não
acabadas.
A
outra
fase
é
de
natureza
mais
espiritual,
é
a
procura
de
um
sentido
para
a
perda.
Esta
fase
será
seguida
por
uma
outra
de
perdão:
perdoar-se,
perdoar
ao
outro
e
pedir
perdão.
No
fim
do
processo
do
luto
vem
a
fase
da
herança,
na
qual
a
pessoa
que
está
a
fazer
o
seu
caminho
de
luto
pode
recuperar
tudo
o
que
ela
deu
de
amor,
de
energia
e
de
projecção
dela
própria
à
pessoa
que
partiu.
Nesta
última
fase,
a
pessoa
compreende
que
o
seu
luto
terminou.
Estas
fases
são
dadas
a
título
indicativo.
Como
pontos
de
referência,
elas
marcam
as
passagens
obrigatórias
no
caminho
para
a
cura.
Todavia
não
é
conveniente
tomá-las
como
etiquetas
a
colar
nas
costas
de
cada
um.
A
ordem
pela
qual
são
aqui
apresentadas
é
a
ordem
cronológica
mais
frequente,
mas
elas
podem
suceder-se
de
uma
forma
um
pouco
diferente
e
sobretudo
ser
acompanhadas
de
uma
regressão
às
fases
anteriores.
Cada
pessoa
é
única
e
vive
uma
história
única.
Os
nossos
sistemas
de
pensamento
não
devem
condicionar
a
realidade
vivida. |
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