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"Donde vem esta doce
esperanзa, este desejo profundo,
Este anseio pela imortalidade?
Donde vem este medo secreto, este horror нntimo,
De cair no nada?
Porque se retrai a alma,
E estremece diante da destruiзгo?
Й a divindade que se agita em nуs; Й o cйu que aponta o
Futuro e anuncia a eternidade ao Homem.
ETERNIDADE! Pensamento doce e horrнvel!"
Addison, citado por
Blavatsky (s.d., p.267) |
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A palavra luto
quer dizer “dor” causada pela morte de alguйm. “Fazer o
seu luto” quer dizer literalmente: “passar atravйs da sua
dor”.
Para melhor
compreender o processo do luto, й preciso lembrar que o
ser humano й um ser afectivo. Um ser que cria ligaзхes com
as pessoas e as coisas. Sem ligaзхes, sem afectividade, a
vida nгo й possнvel. Й por isso que nуs criamos com os
seres queridos relaзхes que sгo laзos psicolуgicos e
espirituais. Esses laзos sгo de intensidade variбvel de
acordo com o tipo de investimento afectivo em relaзгo а
outra pessoa.
Normalmente
ligamo-nos mais аs pessoas, mas acontece tambйm podermos
investir a nossa energia afectiva em objectos, lugares ou
animais; em suma, em qualquer realidade que possa estar
carregada de uma carga simbуlica.
Quando sobrevйm
a perda desses seres ou dessas coisas, produz-se uma
ferida no sistema de ligaзгo. Mas, como o organismo sabe
como proteger a sua integridade e fazer os seus lutos,
pхe-se imediatamente em trabalho para reparar a ferida.
Este trabalho de cura chama-se: “A resoluзгo do luto”.
O luto й assim
um acontecimento normal da vida e nгo uma espйcie de
doenзa. Infelizmente, a negaзгo do sofrimento e da morte
na nossa sociedade impedem o desenrolar normal da
resoluзгo do luto. A dissimulaзгo e o recalcamento aos
quais sгo obrigadas as pessoas em luto sгo factores muito
importantes de “stress” e atй mesmo de doenзa.
Se й verdade que
o ser humano nгo pode viver sem se ligar a qualquer pessoa
ou coisa, й tambйm verdade que todas as ligaзхes nгo sгo
definitivas. Todas acabam com uma separaзгo. Podemos
observar esta realidade desde o nascimento. A vida й uma
sйrie ininterrupta de ligaзхes e de separaзхes, de mortes
e de nascimentos. Й preciso estar sempre preparado para
morrer para uma situaзгo e nascer para outra. Й este o
preзo da vida. O luto faz, por isso, parte da vida.
Poderemos mesmo dizer que й um elemento fundador da vida.
O luto apesar
de ser um trabalho individual, й tambйm um acontecimento
colectivo. Toda a comunidade sofre a perda de um ser que
tinha tecido а sua volta toda uma teia de ligaзхes. Й por
isso que a pessoa em luto deve, no seu caminho, tornar-se
solidбria para nгo ficar solitбria. A perda de um membro
de uma famнlia, de uma comunidade, toca todos e faz
reviver em cada um as suas prуprias perdas. Й toda a
comunidade que fica privada de um dos seus. |
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