inicio
  diário bordo
  dias especiais
  grupos
  luto
  terapias
  conhecer
  biblioteca
  fórum
  destaques
 
 
 

Janelas Abertas - Outubro 2008

Mês Anterior
 

"Quarto  - Museu"

Se há quem diga que os olhos são o espelho da alma, uma casa reflecte a forma de estar de cada um.

Quem gosta da sua casa, investe nela de várias formas, mas todas elas vão de encontro ao essencial: deve ser um espaço de bem-estar, prazer para si e para os seus.

 Uma casa, a nossa casa, nunca pode ser um lugar a permanecer intacto, sem alterações.

 Quando na nossa casa, um filho deixa de fazer parte dela, pela sua indesejada partida, a casa passa a lugar de contemplação e devoção. E a casa toda, quase sempre, passa a ser  o quarto do filho(a)..

A dor da saudade ameniza-se no confronto visual e táctil, quando não sonoro, dos objectos que preenchem aquele quarto. O quarto, vira a fotografia -viva, do filho(a), da sua história, das suas vitórias e desilusões.

 É um quarto memória.

 E é aqui, que muitos pais dão um passo (que não é para a frente, nem para trás) em perpetuar o último momento de vida dos filhos em algo eterno, idêntico a um memorial.

 E transformam um quarto, que já foi habitado, num compartimento museu.

 É o gesto do reconhecimento e da perpetuação. É a oferenda sentida como justa dos pais, ao filho(a) que partiu.

 Mas os dias não se refazem quando ficam apoiados apenas na memória. Os dias constituídos de ausência e distância, não sobrevivem somente a partir  dos objectos reais e físicos  que enchem um quarto. As memórias, as grandes memórias, são de objectos sem corpo. A recordação que se tem dos primeiros passos de um filho, da primeira papa, das primeiras palavras, a entrada na escola, as viagens que se fizeram, ficam essencialmente registadas no coração de pais dedicados.

  Por isso, um quarto de um filho que parte, não é um quarto que fica.

  É um quarto que aguarda a presença e está disponível à experiência da partilha.

 Nada é imune ao tempo, que é resistente apenas a si próprio. E um quarto, não serve apenas para ser visitado, mas pelo contrário, usado com todo o tipo de sentimentos, desde a  ternura e a fúria, ao carinho e tristeza e todos os outros sem nome.

  O quarto não é o palco de vida do filho que partiu, mas a alma dele que continuará sempre  presente.

 Dr.Carlos Céu e Silva

Psicólogo Clínico

Mês Seguinte
 

 

design oferecido por IMAGO  desenvolvimento oferecido por Jaime Guisado