Janelas Abertas - Novembro 2007

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“Sinto que perdi completamente a minha fé”

É devido ao problema da morte, que o ser humano chega à religião. No desejo justo de encontrar respostas quando se confronta com a sua existência a partir de um corpo que é visível. E que um dia, deixa de existir.

Através da religião, muitos são aqueles que encontram respostas, conseguindo assim, uma certa paz.

Outros, sentindo-se fortemente penalizados pela vida, afastam-se.

Não é a adesão ou o afastamento a uma religião que nos faz melhores ou piores crentes. Devotos. A relação com a fé, processa-se, através do colectivo, em rituais públicos, ou, a quem o desejar, de forma individual, íntima, num monólogo privado.

Através da fé, e de quem nela se apoia, sente muitas vezes a força necessária, para continuar. E segue em frente, com um vigor surpreendente, usando todos os seus recursos internos, na realização de práticas sociais ou outras.

Contudo, outros, por direito próprio, destroem as suas crenças. E desafiam-se. Sentem-se perdidos. Sozinhos. Desamparados.

Procurar um significado para a morte, não exige a aceitação da própria morte.

Perder a fé, não é deixar de crer. Provavelmente, na inevitabilidade do confronto para com a adversidade, a aparente falta de fé, é o grito de revolta.

A morte e o luto que se faz a partir dela, é um caminho aberto. Ladeado de intenções e dúvidas.

E a dúvida é um companheiro invisível da nossa vida toda. Porque nunca sabemos o suficiente para percebermos tudo. Ou aceitar a realidade que nos faz ser o que somos.

Dr.Carlos Céu e Silva

Psicólogo Clínico

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