É devido ao problema da morte, que o ser humano chega
à religião. No desejo justo de encontrar respostas quando se confronta
com a sua existência a partir de um corpo que é visível. E que um dia,
deixa de existir.
Através da religião, muitos são aqueles que encontram
respostas, conseguindo assim, uma certa paz.
Outros, sentindo-se fortemente penalizados pela vida,
afastam-se.
Não é a adesão ou o afastamento a uma religião que
nos faz melhores ou piores crentes. Devotos. A relação com a fé,
processa-se, através do colectivo, em rituais públicos, ou, a quem o
desejar, de forma individual, íntima, num monólogo privado.
Através da fé, e de quem nela se apoia, sente muitas
vezes a força necessária, para continuar. E segue em frente, com um
vigor surpreendente, usando todos os seus recursos internos, na
realização de práticas sociais ou outras.
Contudo, outros, por direito próprio, destroem as
suas crenças. E desafiam-se. Sentem-se perdidos. Sozinhos. Desamparados.
Procurar um significado para a morte, não exige a
aceitação da própria morte.
Perder a fé, não é deixar de crer. Provavelmente, na
inevitabilidade do confronto para com a adversidade, a aparente falta de
fé, é o grito de revolta.
A morte e o luto que se faz a partir dela, é um
caminho aberto. Ladeado de intenções e dúvidas.
E a dúvida é um companheiro invisível da nossa vida
toda. Porque nunca sabemos o suficiente para percebermos tudo. Ou
aceitar a realidade que nos faz ser o que somos.
Dr.Carlos Céu e Silva
Psicólogo Clínico