A partir dos 5/6 anos a criança começa a considerar a morte como
algo real e comum à espécie humana. Contudo, a morte é muitas vezes
representada graficamente em figuras de monstros, bichos-papão,
caveiras, etc,..
A irreversibilidade – impossibilidade de voltar ao estado
anterior, ou seja a aceitação plena da morte e fim do corpo – torna-se
evidente a partir dos 9 anos. Às vezes, um pouco antes, outras, um pouco
depois.
Esconder a morte e o que ela causa entre as pessoas, e
segundo Kovacks (1992), origina na criança e no seu processo de luto uma
perturbação que se reflectirá na própria relação entre a criança e o
adulto.
Por volta dos 9 anos, a morte é percebida e aceite, mas
está quase sempre transposta para o fim da vida e que tem a ver com a
velhice ou doença.
A criança consegue, auxiliada por mecanismos próprios,
onde a fantasia e a expressão espontânea, através de actividades lúdicas
como o jogar, brincar ou desenhar, elaborando as suas emoções, podendo
realizar um trabalhar de organização mental quase perfeito.
E nunca é demais insistir num ponto: Perante perguntas
claras e explícitas, dar respostas igualmente claras e explícitas.
Não fugir do confronto verbal que as perguntas
desencadeiam e não inventar respostas absurdas e pouco congruentes, que
servem numa primeira fase de alívio para o adulto, mas depois provocam
na criança, a criação de cenários assustadores ou ameaçadores.
As respostas se forem breves e objectivas, fazem o seu
papel primordial; que é serem esclarecedoras.
Em síntese, é preciso entender, que falar da morte ou
aceitá-la, não nos traz de volta a vida de quem já morreu, ou desejar a
nossa própria, mas sim, a aceitação compreensiva de que a morte, é um
legado que pertence a todos por herança filogenética. E escapar ao seu
pensamento, é desistir de viver.
E como diz Edgar Morin, no seu livro:
“A espécie humana é a única para a qual a morte está
presente ao longo da vida, a única a acompanhar a morte com um ritual
funerário, a única a crer na sobrevivência ou no renascimento dos
mortos.”
Dr.Carlos Céu e Silva
Psicólogo Clínico