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Janelas Abertas - Junho 2010

Mês Anterior
 

"A morte na criança -- II parte"         

A partir dos 5/6 anos a criança começa a considerar a morte como algo real e comum à espécie humana. Contudo, a morte é muitas vezes representada graficamente em figuras de monstros, bichos-papão, caveiras, etc,..

A irreversibilidade – impossibilidade de voltar ao estado anterior, ou seja a aceitação plena da morte e fim do corpo – torna-se evidente a partir dos 9 anos. Às vezes, um pouco antes, outras, um pouco depois.

 

Esconder a morte e o que ela causa entre as pessoas, e segundo Kovacks (1992), origina na criança e no seu processo de luto uma perturbação que se reflectirá na própria relação entre a criança e o adulto.

 

Por volta dos 9 anos, a morte é percebida e aceite, mas está quase sempre transposta para o fim da vida e que tem a ver com a velhice ou doença.

 

A criança consegue, auxiliada por mecanismos próprios, onde a fantasia e a expressão espontânea, através de actividades lúdicas como o jogar, brincar ou desenhar, elaborando as suas emoções, podendo realizar um trabalhar de organização mental quase perfeito.

 

E nunca é demais insistir num ponto: Perante perguntas claras e explícitas, dar respostas igualmente claras e explícitas.

 

Não fugir do confronto verbal que as perguntas desencadeiam e não inventar respostas absurdas e pouco congruentes, que servem numa primeira fase de alívio para o adulto, mas depois provocam na criança, a criação de cenários assustadores ou ameaçadores.

 

As respostas se forem breves e objectivas, fazem o seu papel primordial; que é serem esclarecedoras.

 

Em síntese, é preciso entender, que falar da morte ou aceitá-la, não nos traz de volta a vida de quem já morreu, ou desejar a nossa própria, mas sim, a aceitação compreensiva de que a morte, é um legado que pertence a todos por herança filogenética. E escapar ao seu pensamento, é desistir de viver.

 

E como diz Edgar Morin, no seu livro:

 

“A espécie humana é a única para a qual a morte está presente ao longo da vida, a única a acompanhar a morte com um ritual funerário, a única a crer na sobrevivência ou no renascimento dos mortos.”

 

 

 Dr.Carlos Céu e Silva

Psicólogo Clínico

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