A
saudade não é um sentimento unicamente português. É universal.
É uma palavra, que existe sem tradução, mas representa, em qualquer
idioma, a dor de quem parte, se ausenta e deixa de estar ao nosso lado.
A saudade não precisa de sinónimos. De explicações. Venham elas
de fonte fidedigna, científica ou na voz de um amigo.
À primeira vista, saudade é um imenso e inodoro silêncio. Mas não
é verdade. Saudade, no seu profundo e inexplicável silêncio,
emite luz, presença e irradia som, música.
Dá-nos a companhia de uma morna brisa, que faz esvoaçar os cabelos. Ou
então, os sonhos.
Saudade é mais do que uma palavra. E as palavras, significam
tanta coisa, que muitas vezes, não conseguem dizer tudo.
Saudade tanto pode ser um poema, uma valsa, como pode ser a
escalada de uma montanha, uma braçada entre as ondas do mar. Pode ser,
uma história de encantar ou o enredo de um drama.
Saudade pode trazer consigo lágrimas, sorrisos, ânimos.
E saudade rima com tudo o que é ausência, mas também é a rima de
quem já foi presença. Já esteve aqui, ao nosso lado, assinou o ponto do
dia a dia.
Saudade é uma espécie de contrato. Sem cláusulas duvidosas.
Saudade pode ser o nosso espelho. Aquele que nos mostra como
somos lá dentro, nos diálogos que fazemos a sós e não partilhamos com
mais ninguém.
Saudade é saber que o futuro faz-se a partir do passado, mas
precisa do presente e da sua força imensa.
Saudade nunca será a sobremesa que mais gostamos. Nem nunca será
o sonho que esquecemos quando acordamos.
Saudade é a mão que se estende, o caminho que se desconhece, o
livro que tanto se queria escrever.
Saudade é como dizer bom-dia, ao anoitecer.
Dr.Carlos Céu e Silva
Psicólogo Clínico