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Janelas Abertas - Janeiro 2008

Mês Anterior
 

“Tema quase livre”

A saudade não é um sentimento unicamente português. É universal.

É uma palavra, que existe sem tradução, mas representa, em qualquer idioma, a dor de quem parte, se ausenta e deixa de estar ao nosso lado.

 

A saudade não precisa de sinónimos. De explicações. Venham elas de fonte fidedigna, científica ou na voz de um amigo.

 

À primeira vista, saudade é um imenso e inodoro silêncio. Mas não é verdade. Saudade, no seu profundo e inexplicável silêncio, emite luz, presença e irradia som, música.

Dá-nos a companhia de uma morna brisa, que faz esvoaçar os cabelos. Ou então, os sonhos.

 

Saudade é mais do que uma palavra. E as palavras, significam tanta coisa, que muitas vezes, não conseguem dizer tudo.

 

Saudade tanto pode ser um poema, uma valsa, como pode ser a escalada de uma montanha, uma braçada entre as ondas do mar. Pode ser, uma história de encantar ou o enredo de um drama.

 

Saudade pode trazer consigo lágrimas, sorrisos, ânimos.

 

E saudade rima com tudo o que é ausência, mas também é  a rima de quem já foi presença. Já esteve aqui, ao nosso lado, assinou o ponto do dia a dia.

 

Saudade é uma espécie de contrato. Sem cláusulas duvidosas.

 

Saudade pode ser o nosso espelho. Aquele que nos mostra como somos lá dentro, nos diálogos que fazemos a sós e não partilhamos com mais ninguém.

 

Saudade é saber que o futuro faz-se a partir do passado, mas precisa do presente e da sua força imensa.

 

Saudade nunca será a sobremesa que mais gostamos. Nem nunca será o sonho que esquecemos quando acordamos.

 

Saudade é  a mão que se estende, o caminho que se desconhece, o livro que  tanto se queria escrever.

 

Saudade é como dizer bom-dia, ao anoitecer.

 

Dr.Carlos Céu e Silva

Psicólogo Clínico

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