A
explicaзгo da morte a um irmгo desencadeia nos pais um diбlogo difнcil e
muito doloroso. Ninguйm estб preparado a aceitar e compreender a morte
de um filho dentro das suas prуprias paredes familiares. Porque, ao
ficarem os pais refйns de uma dor sem voz, que й um luto, estгo tambйm
obrigados a confortar e apoiar os outros filhos. E onde ir buscar
forзas?
Por vezes temos um desejo infantil que
deveria existir um manual de instruзхes para tudo. А primeira vista,
resolveria uma sйrie de problemas, mas ficariam sempre em aberto, fossos
enormes de incompreensгo, cujas margens estariam completa e
irremediavelmente afastadas.
Й perante o confronto absurdo da dor e
o seu intraduzнvel significado, auxiliado pelo tempo e tambйm pela
reflexгo individual, que o ser humano, poderб construir a sua armadura e
manter-se de pй. Й nгo fugindo ao conflito e revolta que fazem parte do
seu dia-a-dia, que a vida comeзarб ter um novo sentido. Talvez
incompleto em muitos aspectos, mas nгo menos vбlido, noutros.
Como seria bom e fundamental, termos uma
sociedade, preparada a dar apoio a quem fica perdido e confuso! Como
seria salutar, termos uma sociedade que procurasse compreender o
significado da morte.
A morte nгo se ensina. Aprende-se no
seu confronto diбrio. Quando se criam espaзos pъblicos ou privados de
discussгo. Quando na escola, em trabalhos de grupo ou nгo, й incluнdo o
tema morte, quando em casa, perante notнcias desagradбveis, somos
bombardeados com imagens nefastas e de destruiзгo, quando podemos
partilhar na famнlia ou no trabalho a nossa tristeza e desilusгo…
Dr.Carlos Cйu e Silva
Psicуlogo Clнnico