grupos de entreajuda

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Um grupo de entreajuda é um conjunto de pessoas com os mesmos problemas que se reúnem pondo a nu e partilhando emoções e sentimentos, com o objectivo de tentar superar as suas dificuldades. Num grupo de entreajuda cada um dos elementos serve como modelo de identificação perante os outros e os testemunhos prestados vão ajudando à caminhada do grupo no seu conjunto e cada um em particular.
Normalmente os pais chegam a estes grupos num estado de fragilidade emocional e física muito grande, completamente perdidos, sem saber que rumo dar à vida, sem interesses, nem mesmo pelos outros filhos.
A Nossa Âncora escuta com muito amor todos os pais que a procuram e precisam desesperadamente de falar dos seus filhos. Eles sentem que têm ali um espaço onde podem chorar, ser escutados ou simplesmente ouvir os outros.
Vários pais (homens) confessam que vão aos grupos porque é o único sítio onde podem mostrar-se, chorar a sua dor sem vergonha.
Os pais, jovens ou menos jovens, começam por descarregar a sua angústia contando os detalhes, por vezes horríveis, das últimas recordações que têm do seu filho. Entre estas lembranças há os postos de polícia, as noites sem dormir, o desejo de gritar o seu sofrimento.
Quando eles descrevem os seus dramas, ninguém fica chocado. Todos permanecem firmes e solidários. Não existem críticas, só compreensão.
Nestes grupos onde se partilha o sofrimento partilha-se também a esperança.
Os pais têm necessidade de ter um lugar onde em segurança e com confiança possam abrir o seu coração e dizer o “indizível” gritar se tiverem necessidade de o fazer, sem que de imediato lhes seja administrado um calmante.
À medida que se vão integrando nos grupos, vão  criando laços de amizade e
alguns pais verbalizam interrogando-se:  “Eu preciso de voltar a ser feliz por mim próprio, pelos meus filhos, pela minha família e amigos, mas é tão difícil. Será que vou consegui-lo algum dia?
E começam a interessar-se mais pelos tempos da caminhada dos outros. Quanto tempo depois do seu filho ter morrido é que deixou de ir todos os dias ao cemitério? Quando é que desmanchou o quarto da sua filha? Quando é que conseguiu ver televisão outra vez? É capaz de olhar para as fotografias dele ou dela sem chorar? Um sem fim de questões que os abafam e querem começar a destrinçar. É a esperança a dar os primeiros passos.
A  morte  desencadeia  reacções  muito  fortes que nós não dominamos. O grupo de pais pode trazer-nos principalmente a descoberta de que os outros também vivem as mesmas tempestades de violência,  de agressividade, de ciúmes, de angústia, de medo. É libertador. É preciso reconstruirmo-nos, procurar de novo as nossas raízes e encontrar os nossos alicerces.

É preciso reaprender a escutar o canto dos pássaros, contemplar de novo o Sol, olhar uma criança que cresce ou uma flor que desabrocha.

 
 
 

E QUEM, MELHOR DO QUE OS QUE JÁ PASSARAM Text Box:  ou uma flor que desabrocha
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