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19 de Março...”Dia do Pai” onde os sorrisos, os beijos
e os abraços de afecto aqueciam o vosso coração de uma
maneira especial.
A memória está mais lúcida e presente neste dia,
porque é humano que a Saudade visite mais profundamente o
vosso íntimo. Os outros, que felizmente partilham este dia
com os seus filhos, sem querer, fazem lembrar esta data
que já foi vossa. Vossa? Não o posso dizer assim...São e
serão sempre pais...que criaram e viveram bons momentos
com os vossos inesquecíveis filhos.
Não estamos aqui para que esqueçam o que está vivo e
perdura. Não estamos pedindo que simplesmente
ultrapassem...mas sim, que repitam esses momentos com
todos aqueles que convosco viveram o “Dia do Pai”. Com que
ternura olho as pequenas prendinhas que o meu filho me
deu, a dedicatória de um livro escrita com a sua letrinha
de criança...É preciso tentar um sorriso para que o vosso
Eu vá aprendendo a viver outra vez.
Ao darem um passo em frente, mesmo que ele seja ainda
vacilante...é a prenda que oferecerão ao ausente.
Desejamos que se esforcem nesse sentido, que meditem nas
palavras deste pai:
“...Sou pai mesmo consciente de que perdi, fisicamente e
para sempre, o meu filho. Fui atingido muito fortemente,
fiquei sem asas para que o meu voo continuasse para além
do meu tempo, da minha vida. Mas não caminharei
sozinho...hei-de encontrar a luz da Esperança que um dia
me iluminará. É essa a certeza que vai desmentindo a noite
que carrego dentro de mim.
Só sei que tenho de prosseguir, tentar encontrar-me neste
labirinto que ainda me prende. Equilibrar-me entre formas
e sinais que não decifro.
Medito na noite em que me encontro, tento sair da dor,
olhar em volta e continuar mas o frio que ainda sinto é um
obstáculo à meditação e à verdade da própria Vida. Estou
cego e quero ver...quero ter pensamentos positivos e
estáveis, desenhar o dia-a-dia, com cores que nunca
poderão chegar através da vida do meu filho, mas que eu
sozinho as criarei para juntos partilharmos.
Terei coragem, eu sei, de progredir, tornar-me mais
perfeito sobre esta planície deserta onde me encontro e
donde quero ressurgir mais consciente, mais humano, mais
persistente. Não! Não vou desistir...”
Toda a Felicidade tem um tempo...porque quando a perdemos
o passado foi um sonho de onde se acorda e não se torna a
viver...Porquê pensar assim? Aprendam antes que só
realmente se sente a felicidade verdadeira no momento em
que se compreende que não é só no visível que ela se
abrange. Ela continua dentro de todos os que sofrem,
escondida porque a dor é como as ondas bravias que afogam
a nossa paz.
Acordem pois para o tempo que estão vivendo e louvem o ter
conhecido e amado esse filho que partiu. O amor de um pai
não morre. O bebé, a criança, o jovem, o adulto são os
vossos filhos e não nasceram em vão.
Não se apressem a abandonar o interesse pela Vida...deixem
que esses filhos continuem a mostrar-vos o melhor caminho.
O Dia do Pai que hoje lembramos carinhosamente, que seja
um dia de Paz e de Amor entre todos aqueles que sentem
Saudade. Este dar as mãos vai trazer-vos com certeza
outras mãos distantes, mas sempre tão perto dos vossos
corações. É preciso sonhar e crer num Amanhã
liberto de angústias e receios.
Pais, que mais vos posso dizer? Que mais ”A Nossa Ancora”
vos poderá oferecer senão este carinho imenso e o seu
empenhamento para que prossigam com a alma aberta sem
disfarces. Percorram o tempo de dor mas não fechem os
olhos à Vida, mesmo que ela hoje não vos saiba dar
respostas. Pelo ausente e com o ausente desafiem os
obstáculos, as dúvidas e as incertezas. Levantem a cabeça
e olhem o céu...é sempre bonito mesmo em dias de
tempestade.
Aida Nuno |