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Muitos de nós perderam filhos sem terem tido ocasião de se
despedir. Se o pudessem ter feito com certeza teria sido uma despedida
corajosa, seca de lágrimas. Como bons pais teriam, até ao fim, a força de
lhes incutir a ilusão de que iriam sobreviver a tudo o que lhes tinha
acontecido.
Não tendo sido possível essa despedida, têm de se esforçar por superar a dor
e a angústia, guardando com muito carinho os momentos perfeitos e únicos que
passaram juntos.
Só o tempo, que a todos rege, lhes poderá explicar o evoluir da dor para a
saudade e, se por um lado, essas lembranças os farão sentir sós, por outro
lado, essa solidão é menos triste porque será acompanhada pelas recordações
de tudo que viveram: risos, ralhos, conversas, partilhas de pequeninas
coisas de muita importância para todos. Em suma, ninguém lhes poderá tirar
essa vivência de amor e tudo valeu muito a pena.
Há sempre futuro porque o porvir é a conjugação do passado e do presente.
Nada se perde e os sentimentos voltados para o ausente serão infinitos
enquanto sentirem vida dentro de vós.
Vivam portanto, alimentando esse amor e a saudade de uma maneira suave e
terna.
Se, neste momento, passam por um Inverno rigoroso, cheio de descontentamento
e de tristeza, o futuro será composto de pequenas coisas doiradas, cheias de
luz, que os seus filhos lhes ofertarão. Aprendam, com muito amor por eles a
dizer a palavra “adeus”. Palavra muito pequenina que se alonga numa prece de
resignação, como o canto de uma ave numa tarde de Primavera.
Aida
Nuno
"Hatikva"
Naftali Herz Imber - Songs of Peace |