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A notícia chega e a nossa atitude é de uma completa incredibilidade!
Mesmo que a doença se tivesse agudizado, mesmo que tudo nos dissesse que era
inevitável aquele fim muito em breve...
Se é um acidente que ceifa a vida, então tudo se complica ainda mais. A
incerteza da situação, a impossibilidade de minimamente “preparar” aquela
partida gera, de início, um vazio imenso no nosso coração!
Para os pais, é contra toda a lógica ver um filho morrer. Na nossa cabeça,
mas especialmente no nosso coração, nunca esqueceremos que fomos nós que lhe
demos a vida, fomos nós que tudo fizemos para o proteger, fomos
“almofadando” o seu caminho para que a vida lhe fosse mais fácil! Mesmo
quando surgiram momentos mais duros na relação, apenas se desejava que
fossem evitados alguns voos mais arriscados...
De repente tudo acaba, como se nos viessem dizer que nem tudo depende
da nossa vontade, que o nosso poder é limitado, mesmo muito limitado... E
choramos, revoltados com a nossa incapacidade de evitar tamanho desgosto,
profundamente tristes porque perdemos quem muito amávamos...Perdemos?
Certamente que não porque nos revemos nesta frase, vinda talvez de um
coração tão magoado quanto o nosso: “Um filho dá a mão à mãe/pai por pouco
tempo mas o coração dá-lho por toda a vida”
M. Odete M. Costa
"Ar Hakous" (trad)
- La Harpe Celtique |